segunda-feira, 14 de julho de 2008

Execesso de Pêlos


Com exceção do couro cabeludo, das sobrancelhas, dos cílios e da região genital, a estética feminina não admite o crescimento de pêlos grossos e escuros em nenhuma outra região do corpo, sendo a depilação das pernas, coxas, axilas e virilhas um tópico importante na agenda da grande maioria das mulheres ocidentais. O aparecimento de fios grossos, em áreas típicas do sexo masculino – como a face, tórax, abdome e costas -, além de repercutir negativamente sobre a auto-imagem, desperta certa intranqüilidade, motivando a busca por auxílio médico nos consultórios de dermatologistas, endocrinologistas e ginecologistas.
Os pêlos corporais são basicamente de dois tipos: o velus (fios curtos, finos, macios e incolores) e o terminal (fios espessos e escuros). A transformação dos pêlos velus em terminais ocorre sob a influência dos hormônios androgênicos que, nos homens, são produzidos principalmente pelos testículos, mas que também são fabricados – em pequenas frações - pelas glândulas supra-renais e pelos ovários nas mulheres.
Chamamos de hirsutismo o crescimento excessivo de pêlos terminais na mulher, em regiões anatômicas próprias do sexo masculino. O hirsutismo, por si só, não é uma doença; mas um sintoma, cujo significado - patológico ou não – irá variar de acordo com intensidade, com a época do aparecimento (na infância, na puberdade, na vida adulta ou na pós-menopausa), com a velocidade de progressão e com a concomitância de outros sinais clínicos (distúrbios menstruais, acne, obesidade, infertilidade, engrossamento da voz, aumento do clitóris, etc.). É importante lembrar que a pilificação feminina também é uma característica racial; isto é, mulheres asiáticas têm pouco pêlo no corpo, enquanto as que descendem dos povos do Mediterrâneo – portuguesas, espanholas, italianas, gregas, etc. - têm mais pêlos.
Diante de uma paciente com hirsutismo leve, descartadas as influências étnicas e de alguns medicamentos, é importante (mas não essencial)
saber se há, ou não, um aumento na quantidade dos hormônios androgênicos circulantes, pois, em muitos casos, apesar do quadro clínico, as dosagens hormonais estão absolutamente normais, demonstrando apenas um aumento na sensibilidade cutânea a esses hormônios - uma característica pessoal de origem genética.
Nos casos de maior intensidade, de aparecimento súbito e rápida progressão, em que geralmente outros sintomas estão associados, as dosagens hormonais são fundamentais para estabelecer a origem do aumento dos androgênios que, como já dissemos, pode estar nos ovários ou nas glândulas supra-renais.
A causa mais freqüente do excesso de pêlos, de origem glandular, é a Síndrome dos Ovários Policísticos, correspondendo a 50% das pacientes acometidas. A irregularidade menstrual (ciclos longos ou ausentes), que se instala desde a puberdade, associada a imagens císticas nos ovários (ultra-sonografia) sugere esse diagnóstico.
O tratamento do hirsutismo irá variar de acordo com a causa. Portanto, é fundamental uma investigação clínica criteriosa(!). Na grande maioria das vezes, a terapêutica medicamentosa, associada ou não a medidas cosméticas – depilação temporária ou definitiva -, tem resultados satisfatórios. São muito raros os casos em que o trata-mento cirúrgico é necessário (tumores ovarianos e supra-renais).
Atualmente existem diversos recursos terapêuticos para normalizar os níveis dos androgênios e/ou diminuir a ação destes sobre o folículo piloso. Na Síndrome dos Ovários Policísticos, por exemplo, uma das opções de tratamento (para aquelas pacientes que não desejam engravidar) é o uso de uma pílula anticoncepcional que associa dois hormônios, um dos quais é um anti-androgênio. Este contraceptivo, além de combater o hirsutismo, também regula o ciclo menstrual.
O excesso de pêlos não tem apenas conotação estética... Na dúvida, consulte o seu médico.

* Dr. Carlos Antônio da Costa
CREMESC 9758 - TEGO 035/79
www.drcarlos.med.br

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