
A depressão, segundo estatísticas mundiais, é duas vezes mais freqüente entre as mulheres do que entre os homens. Há evidências de que fatores biológicos, hormonais e psicossociais colaborem para essa desigualdade. A capacidade reprodutiva (gravidez / infertilidade), a maior expectativa de vida (maior chance de viuvez), as flutuações hormonais – na puberdade, no período pré-menstrual, na gestação, no puerpério e na menopausa –, somadas à cultura opressivo-repressiva (física e econômica) do universo masculino, são elementos coadjuvantes para a diferença de incidência entre os dois gêneros; fato observado a partir dos dez anos de idade.
Depressão e tristeza são coisas diferentes.
A tristeza geralmente possui uma causa definida – um acontecimento lamentável, uma perda (luto), uma decepção, etc. -, tem duração limitada, não afeta a auto-estima, os hábitos cotidianos e nem os relacionamentos interpessoais (na família e no trabalho), tendo inclusive uma conotação positiva: a de nos fazer meditar para melhor entender (e superar) as vicissitudes da vida, fortalecendo a nossa personalidade diante do imponderável. A depressão é muito mais que tristeza... É um estado de “baixo astral” que se prolonga por meses – até por anos, quando não tratada – no qual sobressaem: os sentimentos pessimistas diante da vida (culpa, inutilidade, desesperança, desejo de morrer), a perda de interesse (motivação) em atividades anteriormente prazerosas, bem como a queda abissal da auto-estima e da autoconfiança. A dificuldade em concentrar-se e de tomar decisões, os distúrbios do sono – insônia ou dormir demais –, o cansaço permanente (falta de energia), o desleixo com a aparência pessoal, o isolamento social e os desajustes alimentares (inapetência ou bulimia) também podem compor o quadro clínico dessa doença que, em intensidade variável, atinge uma em cada cinco mulheres.
As causas da depressão ainda não foram completamente esclarecidas. Entretanto, sabe-se que mecanismos complexos e variados, como os da bioquímica cerebral (neurotransmissores, hormônios, etc.), e os que regem as relações afetivas do indivíduo - consigo mesmo, com os familiares, com o(a) parceiro(a) e com a sociedade (cultura) a que pertence – estão envolvidos nesse processo.
A história clínica e a história familiar são os principais métodos de diagnóstico da depressão, pois não existe nenhum teste ou exame laboratorial que possa ser utilizado para essa finalidade. Antecedentes de abuso sexual na infância, estupro, violência doméstica, desagregação familiar, TPM, infertilidade, abortamento(s), pós-parto, menopausa, câncer, Aids, viuvez, etc. são alguns dos cenários que favorecem o aparecimento dos sintomas da síndrome depressiva. Entretanto, em alguns casos, não há nenhum motivo que, aparentemente, justifique a instalação da doença (depressão endógena).
A psicoterapia e os medicamentos antidepressivos são os recursos terapêuticos mais utilizados atualmente. A abordagem psicoterápica a ser aplicada (interpessoal, comportamental, cognitivo-comportamental ou psicanalítica), bem como a dose e o tipo de antidepressivo a ser utilizado, irá variar de acordo com as características individuais da paciente e com a gravidade de cada caso.
O ginecologista é – no sentido mais amplo da palavra - o clínico da mulher. Portanto, o conhecimento e a sensibilidade desse especialista devem ter uma abrangência muito maior do que a de um mero “técnico do aparelho genital feminino”, preocupado apenas com o diagnóstico e o tratamento das doenças pélvicas, o que transformaria o consultório numa espécie de oficina mecânica (!), fria e impessoal. Na prática ginecológica, a mulher deve ser vista como um todo: como ser físico, psíquico e social - refém involuntária de seus hormônios, sujeito e objeto de seu potencial reprodutivo, participante e formadora da comunidade em que vive, fonte e abrigo de vivências e de emoções que, ao longo da sua existência, compõem a sua história de vida.
* Dr. Carlos Antônio da Costa
CREMESC 9758 - TEGO 035/79
www.drcarlos.med.br
Depressão e tristeza são coisas diferentes.
A tristeza geralmente possui uma causa definida – um acontecimento lamentável, uma perda (luto), uma decepção, etc. -, tem duração limitada, não afeta a auto-estima, os hábitos cotidianos e nem os relacionamentos interpessoais (na família e no trabalho), tendo inclusive uma conotação positiva: a de nos fazer meditar para melhor entender (e superar) as vicissitudes da vida, fortalecendo a nossa personalidade diante do imponderável. A depressão é muito mais que tristeza... É um estado de “baixo astral” que se prolonga por meses – até por anos, quando não tratada – no qual sobressaem: os sentimentos pessimistas diante da vida (culpa, inutilidade, desesperança, desejo de morrer), a perda de interesse (motivação) em atividades anteriormente prazerosas, bem como a queda abissal da auto-estima e da autoconfiança. A dificuldade em concentrar-se e de tomar decisões, os distúrbios do sono – insônia ou dormir demais –, o cansaço permanente (falta de energia), o desleixo com a aparência pessoal, o isolamento social e os desajustes alimentares (inapetência ou bulimia) também podem compor o quadro clínico dessa doença que, em intensidade variável, atinge uma em cada cinco mulheres.
As causas da depressão ainda não foram completamente esclarecidas. Entretanto, sabe-se que mecanismos complexos e variados, como os da bioquímica cerebral (neurotransmissores, hormônios, etc.), e os que regem as relações afetivas do indivíduo - consigo mesmo, com os familiares, com o(a) parceiro(a) e com a sociedade (cultura) a que pertence – estão envolvidos nesse processo.
A história clínica e a história familiar são os principais métodos de diagnóstico da depressão, pois não existe nenhum teste ou exame laboratorial que possa ser utilizado para essa finalidade. Antecedentes de abuso sexual na infância, estupro, violência doméstica, desagregação familiar, TPM, infertilidade, abortamento(s), pós-parto, menopausa, câncer, Aids, viuvez, etc. são alguns dos cenários que favorecem o aparecimento dos sintomas da síndrome depressiva. Entretanto, em alguns casos, não há nenhum motivo que, aparentemente, justifique a instalação da doença (depressão endógena).
A psicoterapia e os medicamentos antidepressivos são os recursos terapêuticos mais utilizados atualmente. A abordagem psicoterápica a ser aplicada (interpessoal, comportamental, cognitivo-comportamental ou psicanalítica), bem como a dose e o tipo de antidepressivo a ser utilizado, irá variar de acordo com as características individuais da paciente e com a gravidade de cada caso.
O ginecologista é – no sentido mais amplo da palavra - o clínico da mulher. Portanto, o conhecimento e a sensibilidade desse especialista devem ter uma abrangência muito maior do que a de um mero “técnico do aparelho genital feminino”, preocupado apenas com o diagnóstico e o tratamento das doenças pélvicas, o que transformaria o consultório numa espécie de oficina mecânica (!), fria e impessoal. Na prática ginecológica, a mulher deve ser vista como um todo: como ser físico, psíquico e social - refém involuntária de seus hormônios, sujeito e objeto de seu potencial reprodutivo, participante e formadora da comunidade em que vive, fonte e abrigo de vivências e de emoções que, ao longo da sua existência, compõem a sua história de vida.
* Dr. Carlos Antônio da Costa
CREMESC 9758 - TEGO 035/79
www.drcarlos.med.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário