segunda-feira, 14 de julho de 2008

Câncer de Ovário

CÂNCER DE OVÁRIO: UM DESAFIO À PREVENÇÃO.

A mamografia é capaz de nos fornecer a imagem de uma lesão suspeita de malignidade – um câncer inicial (?) - antes que a mulher ou o médico possam perceber esta lesão como um nódulo. O exame mamográfico, portanto, é fundamental para o rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer de mama, pois torna visível o que ainda não é palpável. De maneira semelhante, o exame de Papanicolaou, associado à colposcopia, é capaz de diagnosticar as lesões pré-malignas e malignas do colo uterino, antes que a paciente apresente qualquer tipo de sintoma. Esses dois procedimentos investigatórios - respectivamente, para o câncer de mama e do colo do útero – fazem parte do que conhecemos por prevenção secundária. O foco da prevenção secundária em oncologia ginecológica é o diagnóstico precoce dos tumores malignos, das lesões pré-malignas e das lesões suspeitas de malignidade, cujo tratamento - menos mutilante para a mulher – é capaz de proporcionar a cura para essa terrível doença. A frase magna da prevenção secundária é: “quando diagnosticado precocemente, o câncer pode ser curado”. Em outras palavras, a prevenção secundária não evita o aparecimento das doenças, mas preocupa-se com o diagnóstico e o tratamento das lesões incipientes.
Evitar o aparecimento das doenças, promovendo a diminuição de sua incidência na população, é o objetivo da prevenção primária. A vacinação contra a poliomielite, o tétano, o sarampo, a rubéola, etc. são exemplos de prevenção primária. Reduzir ou evitar (quando possível) a exposição a fatores de risco que estão associados às doenças - modificações dos hábitos de vida - é uma outra ferramenta da prevenção primária. O hábito de fumar é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão; por conseguinte, educar a população, no sentido de abolir o fumo (fator de risco), é fundamental para diminuir a mortalidade por esse tipo de câncer. Em ginecologia, a mais importante conquista em prevenção primária das últimas décadas foi a descoberta da vacina contra as cepas oncogênicas do vírus HPV, responsáveis pelo câncer do colo uterino.
E o câncer de ovário?... Quais são os fatores de risco? É possível diagnosticá-lo precocemente?
Entre as neoplasias ginecológicas, os tumores malignos do ovário são os que apresentam as mais altas taxas de mortalidade. No momento em que são diagnosticados, mais de 80% dos casos encontram-se em estágios avançados (!); isto porque, nas etapas iniciais, essas neoplasias não provocam qualquer sintoma, disseminando-se localmente com facilidade. A ultra-sonografia transvaginal é de utilidade relativa no diagnóstico precoce do câncer ovariano, visto que, nessa situação, nem sempre os ovários estão aumentados ou apresentam alterações morfológicas (!). A dosagem sangüínea da glicoproteína CA 125 mostra-se elevada nas neoplasias de ovário (benignas e malignas), na gravidez, na menstruação e na endometriose; porém, nos estágios iniciais do câncer ovariano os níveis do marcador CA 125 podem ser normais (!). No último congresso (2006) da American Association for Cancer Research, um outro marcador tumoral - Bcl-2 -, dosado na urina, mostrou-se promissor no diagnóstico e monitoragem do câncer ovariano; no entanto, serão necessárias pesquisas mais amplas para avaliar a sua utilidade no diagnóstico precoce.
São conhecidos diversos fatores de risco para o câncer ovariano; entretanto 90% dos casos ocorrem em mulheres que não apresentam esses fatores (?!). A idade – acima de 50 anos, para os tumores de linhagem epitelial -; os antecedentes familiares de câncer de ovário, de mama e de colon, indicativos de possíveis mutações genéticas (genes BRCA1, BRCA2, p53, HER2, etc.) de caráter hereditário e o maior número de ciclos ovulatórios, durante a fase reprodutiva, estão entre os fatores de risco mais importantes.
A prevenção primária e o diagnóstico precoce do câncer de ovário na população geral ainda são processos caros, complexos e de baixa eficiência. Atualmente, a base dessa prevenção requer uma análise individual dos fatores de risco.

* Dr. Carlos Antônio da Costa
CREMESC 9758 - TEGO 035/79
www.drcarlos.med.br

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