segunda-feira, 14 de julho de 2008

Distúbios Menstruais

Desde a puberdade até a menopausa, a menstruação faz parte da agenda biológica feminina. O sangramento uterino mensal representa o desfecho de um ciclo, cujo objetivo é assegurar a reprodução da espécie.
A cada mês, numa seqüência extraordinariamente programada, sob a influência de diversos hormônios, a Natureza expõe um óvulo para ser fecundado e, simultaneamente, prepara o interior do útero para receber, abrigar e nutrir o futuro embrião. Não havendo fecundação (gravidez), desfazem-se os preparativos (menstruação) e inicia-se um novo ciclo para alcançar aquele objetivo.
A primeira menstruação (menarca) ocorre, na maioria das meninas, por volta dos 13 ou 14 anos de idade, tendo como limites da normalidade os 10 e os 16 anos. A menopausa (última menstruação) acontece, em média, aos 49 anos, podendo sofrer variações que vão desde os 45 até os 55 anos. Os ciclos que se sucedem à menarca - e aqueles que antecedem à menopausa - tendem a ser irregulares, delimitando o início e o término da capacidade reprodutiva.
Se analisarmos o ciclo menstrual de um grande número de mulheres sadias, veremos que o intervalo entre uma menstruação e outra pode variar de 21 a 36 dias (28, na média); que a duração do sangramento oscila entre 2 e 7 dias (4, na média), e que o volume total do fluxo encontra-se numa faixa que vai de 30 a 8ml.
Para uma mesma mulher, no entanto, o ciclo menstrual obedece a um padrão específico e pessoal, com mínimas variações. O intervalo, a duração e a intensidade do fluxo são praticamente os mesmos a cada mês, refletindo o perfeito equilíbrio hormonal e o bom funcionamento de todos os órgãos envolvidos nesse processo (ovários, útero, etc.).
Mudanças súbitas do padrão menstrual, para mais ou para menos, podem ter significados variados – com maior ou menor gravidade - e devem ser clinicamente investigados.
Por traz desse fato trivial que é o sangramento mensal, existe uma delicada cadeia de engrenagens hormonais, regulada por mecanismos extremamente complexos e sutis.
Além dos ovários, outras glândulas do organismo feminino – como a hipófise, as supra-renais e a tiróide – também contribuem para manter a regularidade do ciclo em todos os seus aspectos. O excesso (ou a deficiência) dos hormônios produzidos por essas glândulas pode ter repercussões na periodicidade, na duração e na intensidade do fluxo. Na maioria das vezes, a solução para esse problema pode ser obtida com o uso de medicamentos que ajustarão ou compensarão o desequilíbrio hormonal. Em outras ocasiões, porém, quando constatada a presença de tumores produtores de hormônios, o tratamento cirúrgico será necessário para restabelecer a normalidade.
Por vezes, a mudança do padrão menstrual não se deve a uma alteração hormonal, mas ao crescimento de um mioma na parede do útero que, modificando as características anatômicas e funcionais deste órgão, pode provocar um grande aumento no volume de sangue perdido a cada mês. Apesar de serem benignos, esses tumores são responsáveis por alguns quadros hemorrágicos intensos, levando a paciente à anemia. O tratamento do(s) mioma(s) uterino(s), na dependência da análise de cada caso, pode ser clínico ou cirúrgico. Neste último caso, pode-se optar pela retirada apenas do(s) mioma(s), pela embolização, ou sermos obrigados a retirar todo o útero (histerectomia).
Os distúrbios menstruais, em muitas ocasiões, denunciam distúrbios da fertilidade. Ciclos muito longos (além de 45 dias), associados à obesidade e aumento dos pêlos no corpo compõem a chamada Síndrome dos Ovários Policísticos, uma disfunção hormonal na qual as pacientes podem ter uma grande dificuldade para engravidar.
O ciclo menstrual funciona como um relógio dos hormônios femininos. Esse delicado mecanismo também é um espelho em que se reflete a Saúde da Mulher.

* Dr. Carlos Antônio da Costa
CREMESC 9758 - TEGO 035/79
www.drcarlos.med.br

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