quarta-feira, 10 de setembro de 2008

OBESIDADE


Gordura é energia de depósito. Isto é, ela representa a diferença entre as calorias que ingerimos (alimentos e bebidas) e aquelas que gastamos nas atividades físicas (exercícios). Assim, quando uma paciente me diz que “tem tendência para engordar”, a leitura que faço dessa afirmação é – em princípio – a de que ela tem tendência a comer mais do que o suficiente para suprir as suas necessidades energéticas diárias. Nosso metabolismo administra as calorias de uma forma sensata, como uma conta bancária: o que não é gasto, vai para a “poupança” (gordura).

Nos consultórios médicos, é comum que as mulheres que “têm tendência para engordar” procurem um bode expiatório entre os distúrbios hormonais. Entretanto, apenas 5% das pacientes obesas têm alguma alteração endócrina como causa do excesso de peso. A despeito dos fatores genéticos e hereditários (antecedentes familiares), a ingestão excessiva de alimentos, aliada a uma vida sedentária, são os principais responsáveis pelo aumento progressivo do Índice de Massa Corporal (IMC).

O Índice de Massa Corporal (IMC) é um número que indica a adequação do peso de uma pessoa adulta em relação à sua estatura. Para calcular o IMC, dividimos o peso (em quilogramas) pelo quadrado da altura (em metros); ou seja: IMC = peso (Kg) ÷ altura² (m²). Por exemplo: se uma mulher pesa 88 Kg e mede 1,63 de altura, o IMC será ... 88 dividido por (1,63 x 1,63), ou 88 ÷ 2,656 = 33,13. Considera-se como peso normal quando o IMC está entre 18,5 e 24,9; sobrepeso, entre 25 e 29,9 e obesidade, quando o índice for igual ou superior a 30, como no exemplo que citamos.

A assistência médica do ginecologista/obstetra abrange todos os aspectos (biológicos, psicológicos e sociais) das diversas fases da existência feminina: adolescência, gravidez, puerpério, pré/pós-menopausa e senectude. Portanto, quaisquer fatores que possam colocar em risco a saúde de suas pacientes - mesmo que estejam fora da esfera genital – serão motivos de preocupação e aconselhamento. A obesidade é um deles.

Manter o IMC entre 18,5 e 24,9 – considerado ideal pela Organização Mundial de Saúde – visa diminuir o risco (estatisticamente comprovado) da paciente desenvolver hipertensão arterial, diabete tipo 2, cardiopatias, derrame cerebral, cálculos biliares e câncer do intestino grosso, entidades sabidamente relacionadas ao excesso de tecido adiposo. No âmbito da ginecologia e da obstetrícia, a obesidade acarreta uma maior incidência de câncer de mama, câncer do endométrio, problemas relativos à ovulação (irregularidade menstrual e infertilidade), além de aumentar os casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia – situações de perigo para a gestante e para o feto. Em outras palavras: o acúmulo de gordura corporal não afeta apenas o peso, o contorno físico e a auto-estima das pacientes, atingindo muitos outros aspectos da Saúde da Mulher.

Existem duas – e apenas duas - formas saudáveis de perder o excesso de gordura: a primeira é diminuir as calorias ingeridas (reeducação alimentar, com supervisão de uma nutricionista); a segunda, aumentar o consumo calórico, por meio de um programa de exercícios físicos diários. O ideal é que se associe uma coisa à outra, de maneira comedida, equilibrada e sem pressa de obter resultados imediatos. Não há mágica nesse processo (!).

É comum vermos pacientes com sobrepeso ou obesas que, iludidas pela propaganda, recorrem a fórmulas miraculosas, suplementos alimentares ou a dietas estapafúrdias (da lua, do abacaxi, etc.) que prometem resultados espetaculares a curto prazo: “perca cinco quilos, ou mais, em apenas uma semana!” Muitas dessas “fórmulas” são comercializadas sem registro no Ministério da Saúde, e contêm substâncias que interferem no metabolismo. Particularmente, não as recomendamos.

Se você quer emagrecer, coma menos – “feche a boca” – e caminhe, por uma hora, diariamente !


Fonte:
* Dr. Carlos Antônio da Costa

CREMESC 9758 - TEGO 035/79

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